terça-feira, 17 de abril de 2012

SOLOS DO MARANHÃO - MAPA E NOTAS

Após uma longo ausencia, retorno para colocar à disposição dos meus leitores um mapa raro de encontrar na web. Para não ficar desacompanhado, segue algumas notas tomadas da minha tese.
A principal referencia sobre os solos maranhenses, em escala regional, e do mapa acima é : JACOMINE, P.K.T. et al. Levantamento exploratório-reconhecimento de solos do Estado do Maranhão. Rio de Janeiro, Embrapa-SNLCS/SUDENE-DRN, 1986
Os solos representam a base de numerosas atividades humanas. O geólogo o entende como rocha decomposta e indicador de processos geológicos passados; o agrônomo o vê como sustentáculo da vida; para o engenheiro civil interessa o seu comportamento mecânico e hidráulico. O pedólogo vê o solo como corpos naturais, portadores de vida microbiana e resultante de complexos processos realizados na interface litosfera-atmosfera-biosfera, num certo período de tempo e em certas condições topográficas (OLIVEIRA e BRITO[1], 1998; LEPSCH[2], 2002). Para o geógrafo, o conhecimento de sua origem e dinâmica ambiental é significativo para determinar potencialidades e fragilidades no uso e ocupação de um território.

Considerando a grande extensão territorial do Maranhão e observando o mapa de solos do Brasil é possível perceber o quanto é significativa a variedade de solos desse Estado. Por sua posição geográfica, predominam solos tropicais. Pelo predomínio de rochas sedimentares, são grandes as extensões cobertas por latossolos, argissolos e neossolos, entre outros.
Considerando esta diversidade pedológica, optou-se por apresentar na tabela a seguir somente os solos de maior abrangência espacial, correspondendo a mais de 95% da área do estado. A descrição desses grandes grupos segue a recomendação de Embrapa[1] (2006)

Tabela 1 – Tipos de Solos mais representativos do Maranhão

TIPO DE SOLO
ÁREA (Km²)
ÁREA (%)
Latossolos – L
116.541,5
34,96
Argissolos – Ag
87.541,80
26,26
Plintossolos – PT
50.638,30
15,19
Neossolos– R
45.037,70
13,51
Gleissolos – G
7.367,40
2,21
Solos indiscriminados de mangue – SM
7.167,40
2,15
Terra Roxa Estruturada – TR
4.600,40
1,38
Total
318.894,50
95,66

Fonte: Adaptado de IMESC – Perfil Econômico do Maranhão 2006-2007.

Os latossolos e suas variações (amarelos, vermelho-amarelos, vermelho-escuros e roxo) caracterizam-se por sua grande profundidade, resultante de longo processo evolutivo e pela baixa fertilidade natural. São normalmente solos ácidos, de boa drenagem, permeáveis, exceto quando apresentam textura muito argilosa. São solos típicos de regiões equatoriais e tropicais e são normalmente encontrados em áreas de relevos plano e suave ondulado. São comuns na bacia do Tocantins, na parte centro sul, até Barra do Corda e na bacia do Itapecuru.

Os Argissolos, antigos Podzólicos vermelho-amarelos e vermelho-escuros, são solos com elevado teor de argila nos horizontes mais profundos. São bem estruturados, com profundidades variáveis e cores avermelhadas e amareladas. A textura varia de arenosa a argilosa, com presença de caulinita. A maior concentração desse grupo de solos está ao norte do Estado, na região do médio Mearim, e no vale do Itapecuru, ao sul de Caxias.

Plintossolos são solos normalmente ácidos e mal drenados, característicos de clima tropical com estações secas e chuvosas bem marcadas e de área s de relevo plano, como várzeas e terraços fluviais. A formação da plintita, com sua característica cor vermelha ou amarela e grãos mais ou menos arredondados, resulta da variação no nível da umidade do horizonte plintico. Surgem às margens dos rios do leste e da Baixada maranhense.

Neossolos é a denominação mais recente para o grupamento de solos pouco evoluídos, sem horizonte B diagnóstico definido. Reúne diversos solos “jovens” como os Litólicos (Neossolo Litólico), os Aluviais (Neossolo Flúvico), os Regossolos (Neossolo Regolítico) e as Areias Quartzosas (Neossolo Quartzarênico). São considerados solos jovens porque estão em via de formação, graças ao material que lhes deu origem, como um afloramento de rochas, ou pela reduzida atuação da pedogênese. Os Neossolos Litólicos são rasos e pedregosos e surgem largamente no sul e sudeste do Estado. As areias quartzosas ou Neossolos Quartzarênicos e aparecem na porção nordeste do Maranhão, na região do Delta do Parnaíba e nas áreas vizinhas às dunas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Os aluviais ou Neossolos Flúvicos são derivados de sedimentos aluviais e dominam grandes extensões de vales, principalmente o do rio Mearim.

Gleissolos são solos hidromórficos, mal a muito mal drenados, sendo encontrados em áreas periódica ou permanentemente saturadas com água. São bastante desgastados e fortemente ácidos. Apresentam profundidade variável, dependendo da saturação do solo com relação ao relevo. São comumente encontrados em fundos de vales, na região do Gurupi e na Baixada maranhense.



[1] EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2.ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006.

[1] OLIVEIRA, A.M.S e BRITO, S.N.A. de. (ed.). Geologia de engenharia. São Paulo: ABGE,1998
[2] LEPSCH, I.F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de textos, 2002.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As Frentes de Ocupação do Espaço Maranhense*


A primeira tentativa de ocupação do espaço maranhense deu-se quando o Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias por obra de D. João III. Dividido em duas capitanias, a região do Maranhão é entregue a Aires da Cunha e Fernando Álvares de Andrade, em 1535. Não há registros desse primeiro esforço de povoamento.

Em 1594 os franceses adentraram o território na zona do Golfão Maranhense, seguindo a mesma lógica econômica e políticas dos portugueses, baseada no povoamento periférico do território. É provável que o objetivo primeiro dos franceses com esta ocupação fosse a exploração da madeira e o estabelecimento de um posto avançado em direção ao mundo amazônico.

Os franceses haviam sido expulsos do Rio de Janeiro, onde tentaram fundar a colônia denominada de França Antártica. Um pouco mais tarde, em 1612, e com a chegada de reforços, eles fundam a cidade São Luís, além de construir fortes, iniciando uma nova colônia, agora denominada de França Equinocial. Meireles (2008: 45) descreve que “cuidaram então os franceses de, iniciando a catequese do silvícola, consolidar sua amizade, explorando os ressentimentos dos portugueses que, conquistando o Brasil, os haviam forçado a emigrar do sul; ao mesmo tempo faziam o reconhecimento da terra”.

A cobiça francesa por esta região decorreu da ausência portuguesa nesta parte do imenso litoral brasileiro, da existência de bons portos naturais e da proximidade destes com a Europa. Além disso, nesta época, Portugal encontrava-se incorporado pela Espanha à União Ibérica (1580-1640). Após diversas escaramuças, como a célebre batalha de Guaxenduba, os portugueses conseguem expulsar os franceses em 1615, estabelecendo-se definitivamente no território, principalmente após a criação, por ato régio, do Estado Colonial do Maranhão em 1618. Em seguida os portugueses iniciaram o processo de ocupação das terras do sertão, seguindo o curso dos grandes rios maranhenses, como o Itapecuru.

Reina, entre historiadores maranhenses, grande discórdia quanto ao sucesso da empreitada francesa. Para alguns ela foi superestimada, no início do século passado, como forma de proporcionar à decadente capital ludovicense uma aura aristocrática (LACRO[i]IX[ii], 2002; SOUSA[iii], 2007). Os defensores dessa corrente apontam a arquitetura e a azulejaria portuguesas, que existem em São Luís, como provas de que esta era uma cidade de origem portuguesa. Outra controvérsia refere-se à Guaxenduba, batalha vencida pelos portugueses, apesar de sua inferioridade bélica e de contingente. Atribuir tal feito a um milagre da Virgem Maria não convenceu os historiadores.

A ocupação das terras maranhenses, entretanto, prossegue conturbada. Em 1641 os holandeses ocupam a cidade de São Luís de onde serão expulsos três anos mais tarde. A partir daí torna-se um ponto de apoio dos portugueses à exploração da Amazônia e ao povoamento do Norte do país. As dificuldades eram tantas que em 1621 é instituída a divisão do Brasil em duas grandes porções: o Estado do Maranhão e Grão-Pará e o Estado do Brasil. O Estado do Maranhão compreendia desde o Ceará até o Amazonas (FURTADO, 1986; TROVÃO[iv], 2010). Em 1682 é criada a Companhia Geral de Comércio do Maranhão, sediada em Belém, com o objetivo de fomentar a atividade econômica de exportação no norte do Brasil. Estas medidas, apesar de parciais, consolidam a posse do território e auxiliam a implantação de uma tímida economia de exportação. Entretanto, os privilégios de comércio cedidos a essa empresa, a cobiça e a má administração dos seus gestores geram insatisfações na população de colonos, que culminam com a Revolta de Bequimão, de consequências muito sérias, segundo Prado Junior[v] (1983). A revolta, sufocada em 1684, é liderada por Manuel Bequimão, proprietário do maior engenho açucareiro do Maranhão, situado no vale do Mearim.

Furtado[vi] (1986) explica que as dificuldades dos colonos maranhenses eram muitas: solos inadequados para a cultura da cana-de-açúcar, isolamento e colonização tardia em relação ao restante do Brasil, além da desorganização administrativa e econômica num mercado já bastante concorrido como o do açúcar e do fumo. E as dificuldades prosseguem porque “em toda a segunda metade do século XVII e a primeira do seguinte, os colonos do chamado Estado do Maranhão lutaram tenazmente para sobreviver” (FURTADO, 1986:67). A economia regride para subsistência e para a caça ao índio. Neste processo de interiorização, “os colonos foram conhecendo melhor a floresta e descobrindo suas potencialidades” (op. cit.:67).

Em meados do século XVIII a economia colonial do Brasil dividiu-se em três sistemas ou centros econômicos – “a faixa açucareira, a região mineira e o Maranhão (...). Dos três sistemas principais, o único que conheceu uma efetiva prosperidade no último quartel do século foi o Maranhão” (FURTADO, 1986:90). Com o auxílio do Marquês de Pombal é criada a Companhia Geral de Comércio do Maranhão e Grão-Pará (1755), que estimulará o cultivo do algodão. A cotonicultura subindo as margens do Itapecuru cobrirá principalmente a região de Caxias, trazendo consigo grande contingente de mão-de-obra africana, levando Prado Junior (1983:82) a afirmar que o algodão “apesar de branco, tornará preto o Maranhão”. Prado Junior (op. cit) afirma também que é no Maranhão que o progresso da cotonicultura é mais expressivo e interessante porque esta região, até então a mais pobre da colônia, superaria todas as demais em riqueza nesta época.

Trovão e Feitosa (2006) e Trovão (2008[vii]) advogam a ideia de que o território maranhense foi efetivamente ocupado a partir de três frentes de povoamento, com origens e épocas diferentes: a corrente do litoral, a da pecuária ou dos criadores de gado e dos migrantes da seca.

Originando-se em São Luís, a capital, essa frente segue em direção ao interior do estado pelos vales dos rios Itapecuru, Mearim e Grajaú, chegando até o município de Caxias, no leste do estado. A introdução das culturas da cana-de-açúcar e do arroz e a instalação de diversos engenhos açucareiros, como o de Manuel Bequimão, situado no vale do Mearim, marcam essa primeira etapa de povoamento do território maranhense.

Duas outras ramificações acompanharam o litoral: a do oeste, em direção à foz do Gurupi, instalou áreas de produção agrícola e gerou cidades como Cururupu e Alcântara. A ramificação do leste estimulou o desenvolvimento da pecuária, a exploração de salinas e a comunicação com outras províncias como Ceará e Pernambuco.

A segunda frente de ocupação do estado foi denominada de “pastoril”, ou dos criadores de gado. Ocorreu mais de um século depois da primeira. A separação entre a atividade açucareira e a pecuária na Zona da Mata estimulou o povoamento dos sertões nordestinos. Oriundos da Bahia e de Pernambuco, os vaqueiros sobem o rio São Francisco, atravessam os rios piauienses Gurguéia e Piauí e vão instalar-se na Região de Pastos Bons, iniciando a ocupação e o povoamento rarefeito do sul do Maranhão no século XVIII. Avançando um pouco mais, o gado ocupará o cerrado do centro sul do estado, chegando até a região de floresta equatorial, na atual microrregião de Imperatriz. Uma segunda frente pecuarista, oriunda do Ceará e Pernambuco, só conseguiu alcançar o baixo curso dos grandes rios maranhenses, criando um vazio demográfico entre uma corrente e outra.

Feitosa e Trovão (2006) e Trovão (2008), fazem referência a uma terceira frente denominada de “frente de expansão agrícola” por uns e/ou “corrente de fugitivos da seca” por outros. Originária do sertão nordestino, no início do século XX, esta frente acessa o território maranhense por três pontos: o porto de Tutóia, ou seja, por via marítima; por Teresina e Floriano, cidades dotadas de pontes sobre o rio Parnaíba. Trovão (2008) considera que os motivos que trouxeram os migrantes do leste para o oeste são de caráter repulsivo quando se trata do fenômeno periódico das secas ou de caráter atrativo quando são considerados fatores tais como: a disponibilidade de terras devolutas, maior e melhor distribuição das chuvas, solos de boa fertilidade e a disponibilidade dos recursos florestais.

Além dos fatores naturais, deve-se considerar também a expressiva força de atração exercida pelos incentivos governamentais da SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, que estimulou o povoamento dessa região. Expressivos são igualmente os incentivos proporcionados pelo Estado do Maranhão, que no governo de José Sarney (1966 – 1970) criou a COMARCO – Companhia Maranhense de Colonização. Esta empresa, apoiada em instrumentos legais, como a Lei de Terras, e de uma generosa política de incentivos fiscais, possibilitou a aquisição de vastas extensões de terras por preços simbólicos por parte de grandes grupos empresariais do país, como a Volkswagen e a Sharp.

Os conflitos de terras entre os pioneiros-posseiros e os empresários-pecuaristas tornarão essa região uma das mais violentas do país, fomentando um ciclo interminável de grilagem de terras. O vale do rio Pindaré, a partir dessas iniciativas, foi ocupado definitivamente, tornando-se uma frente de avanço da agricultura em moldes tradicionais, pela pré-Amazônia maranhense.

A respeito da ocupação do espaço agrário maranhense, muito já foi dito e ainda será. Como ponto de partida, recomenda-se a leitura das obras de dois geógrafos: Trovão[viii] (1989) trata da colonização do vale do Pindaré e Canedo[ix] (1993), num texto mais abrangente e fluido, avança até os anos de 1980.

A partir de 1980, o Maranhão inicia um processo de industrialização apoiado no setor metalúrgico e na exploração do grande projeto de Carajás, cujo minério é levado pela estrada de ferro que liga Carajás ao Porto de Itaqui em São Luis. Apoiada em incentivos, a Alcoa, uma das grandes empresas mundiais do alumínio, instala-se na ilha para se beneficiar da bauxita oriunda do vale do rio Trombetas, no Pará.

Nos últimos anos tem sido divulgada a proposta de transformar Bacabeira, uma pequena cidade próxima à ilha de São Luís, em polo siderúrgico e a possibilidade de instalação de uma refinaria de petróleo nas mesmas imediações. A escolha de cidades próximas à capital decorre da pressão da sociedade por respeito às questões ambientais, em decorrência dos impactos causados pela metalurgia do alumínio do Complexo Alcoa/Alumar que continua em expansão.

 *Este texto não foi revisado.



[i] [ii] LACROIX , M. de L.L.A Fundação Francesa de São Luís e seus mitos. 2. ed. rev. e ampliada. São Luís: Lithograf, 2002.
[iii] SOUSA, J.U.P. “Os estilhaços”: debate intelectual sobre a fundação francesa de São Luís do Maranhão. Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, vol. 04, 2007, p. 111-134.
[iv] TROVÃO, J.R. Evolução político-administrativa do Estado do Maranhão. São Luís: IMESC, 2010.
[v] PRADO JUNIOR, C. História econômica do Brasil. 28.ed. São Paulo: Brasiliense, 1983.
[vi] FURTADO, C. Formação Econômica do Brasil. 21.ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1986.
[vii]  TROVÃO, J.R. O processo de ocupação do território maranhense. São Luís: IMESC, 2008. (Cadernos IMESC, 5)
[viii] TROVÃO, J.R. Ilha latifundiária na Amazônia Maranhense; estudo da expansão da fronteira agrícola no médio vale do Pindaré: o caso de Santa Inês. São Luis:UFMA/PPPG, 1989.
[ix] CANEDO, E. V. da S. O. de. Organização do espaço agrário maranhense até os anos 80: a distribuição da terra e atividades agrícolas. São Luís/MA: Ed. da autora 1993

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PANORAMA DA GEOGRAFIA BRASILEIRA


Aconteceu na Lista de Geografia:

A PERGUNTA:

De: Benjamim Pereira Vilela
Para: "listageografia@yahoogrupos.com.br"
Assunto: Panorama atual da geografia Brasileira

Prezados,

Escrevo-lhes para fazer um questionamento sobre o panorama da geografia brasileira (o que está estudando? Quais a principais correntes teórico - metodológicas?). Tal questionamento foi por colegas, tentei responder mas gostaria de ouvir mais pessoas...

Obrigado.

Benjamim

A RESPOSTA:

De: Fábio Adorno Espósito
Para: listageografia@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: Panorama atual da geografia Brasileira

Caro colega,

Utilizarei para caracterizar a atual geografia brasileira os mesmos termos utilizados pelo físico Tony Rothman sobre a internet, em seu livro "Tudo é relativo": a atual geografia brasileira tem "a largura de uma galáxia, e a profundidade de um dedo".
Falamos sobre tudo (aquíferos, psicologia, imagens de satélite, relações homoafetivas, política rasteira), mas com a presunção de que podemos ignorar as ciências que melhor estudam certos assuntos em nome do "fim das fronteiras disciplinares" e do poder de nossas "territorialidades", "espacialidades" e outros conceitos bambos.
E não satisfeitos em estudar tudo, o todo, as múltiplas "percepções" de cada um e de todos, queremos ampliar um pouco mais nossos objetos (d)e estudos.
Ah, também temos o curioso hábito de deixar que outros profissionais façam nossas obrigações (como descrever paisagens, coletar dados de campo, produzir mapas temáticos de qualidade, etc.) de forma incompleta (afinal não são geógrafos), porque somos superiores e modernos demais para estas simplicidades "tradicionais", "cartesianas" e "deterministas".
Enfim, a atual panorama da geografia brasileira é tão vasto, esplêndido, multidisciplinar e livre que nem eu, nem você, tampouco seus colegas temos a capacidade de compreender, quanto mais de explicar

Abraços,

Fábio Adorno Espósito

Santas palavras, Fábio!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

PARA QUE SERVE UM ZONEAMENTO?


O zoneamento ambiental ou ecológico-econômico é um dos instrumentos da política ambiental brasileira. Suas bases foram firmadas pelos artigos 21, alínea IX, 25, § 3º e 182, § 1º, da Constituição Federal de 1988, pela Lei federal 6938/81, artigo 9o, inciso II, e pelo Decreto 4297/2002, que a regulamenta.
No caso do artigo 21 da Constituição Federal, a gestão ambiental do território brasileiro deve ser articulada para um mesmo complexo ambiental e socioeconômico, buscando a redução das desigualdades e o desenvolvimento sustentável. No artigo 25, § 3º, está a ênfase a organização ao planejamento das cidades. O artigo 183 estabelece a obrigatoriedade aos municípios de mais de vinte mil habitantes a instituírem o Plano Diretor. Não está explícito que o Plano Diretor deve conter o zoneamento, mas implicitamente o zoneamento está contido na expressão ordenamento da cidade tendo “por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes”, como descrito do caput do citado artigo.
A definição dada pela Lei 6.938/81 é a de que o “zoneamento ambiental é uma integração sistemática interdisciplinar da análise ambiental ao planejamento do uso do solo, com o objetivo de definir a gestão dos recursos ambientais” O zoneamento dá suporte à tomada de decisões no planejamento e gestão territorial, seja sob a ótica econômica, social, ecológica ou cultural. É uma forma de compartimentar o espaço geográfico, segundo critérios objetivos, baseados nas suas peculiaridades e dinâmicas. Estes estudos dever ser voltado para o entendimento dos processos de ocupação, desenvolvimento e apropriação dos recursos de um dado território.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

NÃO CONHEÇO ESQUERDISTA QUE NÃO MUDE

Este post é uma gentileza de Lucivânio Jatobá. Com sua permissão reproduzo aqui o que ele nos disponibilizou na Lista de Geografia.
Ivanildo Vila Nova é um dos mais insignes repentistas do Nordeste brasileiro. Um sertanejo simples, mas de uma mente privilegiada. Deram-lhe um mote , que dizia assim: "Não conheço esquerdista que não mude quando pega nas rédeas do poder." Na hora, de maneira genial, ele fez o desafio, com a viola na mão...
Vejam a canção ( repente) que ele fez.

NÃO CONHEÇO ESQUERDISTA QUE NÃO MUDE, QUANDO PEGA NAS RÉDEAS DO PODER (IVANILDO VILA NOVA)
 
Radical se transforma em moderado
Se quiser jogar bem no outro time
Ou acopla-se aos moldes do regime
Ou por outra depois tu é cassado
Quando não, ele fica deslumbrado
Com mulheres, passeios e prazer,
Mordomia, jetom, luxo e lazer,
Tudo isso é efêmero, mas ilude,
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.

O ministro, o prefeito, o deputado
Com direito a chofer e secretária,
Segurança, assessor, estagiária,
Gabinete com ar condicionado,
Vai lembrar-se do proletariado,
Com favela e cortiço pra viver?!
Ou será que não vai se aborrecer
Com esgoto, favela, mofo e grude?
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder


E o mártir que tem convicção
De arriscar sua vida, seu emprego,
A família, o futuro e o sossego
Por um povo, um projeto, uma nação.
Um Sandino tentou mas foi em vão,
Um Guevara esforçou-se por fazer,
Hoje em dia é difícil aparecer
Marighela, Lamarca ou Robin Hood.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


Que fará um sujeito agitador,
Bóia-fria, sem-terra, piqueteiro,
Camarada, comuna, companheiro,
Se um dia tornar-se senador?
Vindo até se eleger governador,
Qual será o seu novo proceder?
Vai mudar, vai mentir ou vai manter
As promessas que fez de forma rude?
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder


Quem tem honra, da mesma não se aparta,
É querer liberdade pra o Nordeste,
É Xanana Gusmão do Timor Leste
Enfrentando os exércitos de Jacarta,
Boutros Ghali primando pela Carta
Que o Pentágono queria prescrever,
É qualquer palestino a combater
Um Netanyahu ou um Ehud.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.
No período que o adolescente
Quer mudar o planeta e o País
Através dos arroubos juvenis,
Vira líder, orador e dirigente.
Mas se um dia ele vira presidente
O que foi nunca mais poderá ser.
Aí diz que o remédio é esquecer
As loucuras que fez na juventude.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


Todo jovem a princípio é sectário,
Atuante grevista e condutor
Exaltado, anti-yankee, pregador,
Um perfeito revolucionário.
Cresce, casa, se torna secretário
E aí o que trata de fazer?
Leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


Quem vivia de luta e de vigília,
Invasão, pichamento e barricada,
Através disso aí fez uma escada
Pra chegar aos tapetes de Brasília,
Vai pensar no progresso da família
E o que faz pra do posto não descer.
Nunca falta quem queira se vender,
Sempre acha um covarde que lhe ajude.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


Dirigido não é o dirigente,
Dominante não é o dominado,
Se quem vive debaixo é revoltado
Quando sobe ele fica diferente.
Compreendo a fraqueza dessa gente
Submissa ao desejo de vencer,
Mordomias nunca mais quer perder,
Quem sou eu pra ser dono da virtude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


Eu já vi muita gente amarelar
Por pressão, covardia ou por dinheiro.
Jornalista, cantor e violeiro,
Metalúrgico, político e militar.
Só Luís Carlos Prestes foi sem par,
Defendeu sua tese até morrer.
E Gregório Bezerra sem temer
Levou seus ideais ao ataúde.
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.


* Ivanildo Vila Nova é advogado, poeta e cantador repentista. É o autor da letra de "Nordeste Independente", música gravada por Elba Ramalho, sucesso de público e de crítica.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BICENTENÁRIO DE CAXIAS



Estava imaginando como iria homenagear Caxias nos seus 200 anos sem resvalar para o lugar-comum das saudações bajulatórias. Estava na rodoviária de Teresina, esperando um parente, quando resolvi comprar o jornal "Diário do Povo" para matar o tempo. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com o texto do Prof. Fonseca Neto, historiador, professor do curso de História da UFPI e membro da Academia Caxiense de Letras.

Li com avidez e resolvi publicá-lo AQUI. Escaneei a página do jornal conforme manda o figurino. Pode ser utilizado como citação. Leiam e comentem!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PROFISSÃO: GEÓGRAFO


Segundo o CREA, a legislação vigente e o currículo de algumas faculdades e universidades habilitam o geógrafo a atuar nas seguintes áreas:

a) Ambiental

• Elaboração de Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIAs e RIMAs);
• Avaliações, pareceres, laudos técnicos, perícias e gerenciamento de recursos naturais;
• Plano e Relatório de Controle Ambiental (PCA e RCA);
• Monitoramento Ambiental

b) Planejamento
• Planos diretores urbanos, rurais e regionais;
• Ordenamento territorial;
• Elaboração e gerenciamento de Cadastros Rurais e Urbanos;
• Implantação e gerenciamento de Sistemas de Informações Geográficas (SIG);
• Estruturação e reestruturação dos sistemas de circulação de pessoas, bens e serviços;
• Pesquisa de mercado e intercâmbio regional e inter-regional;
• Delimitação e caracterização de regiões para planejamento;
• Estudos populacionais e geoeconômicos.

c) Cartografia

• Mapeamento Básico;
• Mapeamento Temático;
• Cartografia Urbana;
• Delimitação do espaço territorial municipal, distrital, regional;
• Cartas de declividade e perfil de relevo;
• Cálculo de áreas;
• Transformação e cálculo de escalas;
• Locação de pontos ou áreas por coordenadas geográficas;
• Interpretação de fotografias aéreas e imagens de satélite;
• Geoprocessamento e cartografia digital.d) Hidrografia
 • Delimitação e Plano de Manejo de Bacias Hidrográficas;
• Avaliação e estudo do potencial de recursos hídricos;
• Controle de escoamento, erosão e assoreamento dos cursos d’água.

e) Meio Físico

• Caracterização do Meio Físico;
• Planos de recuperação de áreas degradadas;
• Estudos e pesquisas geomorfológicas;
• Climatologia;
• Cálculo de energia do relevo.


f) Turismo

• Levantamento do potencial turístico;
• Projetos e serviços de turismo ecológico (identificação de trilhas);
• Gerenciamento de pólos turísticos.
Para tornar-se um profissional da Geografia (magistério ou técnico) é necessário possuir algumas aptidões, tais como: capacidade de ler e interpretar variados documentos (paisagens, fotografias, imagens de radar, cenas orbitais, mapas, gráficos, tabelas, textos); raciocínio analítico e sintético; mentalidade científica; desejo de ser útil à sociedade; gosto e disponibilidade para os trabalhos de campo; sensibilidade para as questões relacionadas aos processos de produção do espaço (questões ambientais, sociais, econômicas, políticas e culturais).
Dentre os conteúdos básicos para a formação do Geógrafo destacam-se:


• Planejamento Territorial e Ambiental;
• Cartografia;
• Topografia;
• Hidrografia;
• Biogeografia;
• Sensoriamento Remoto e Aerofotointerpretação;
• Climatologia;
• Planejamento Rural e Urbano;
• Geografia Econômica;
• Ecologia;
• Geomorfologia.

Este post foi copiado de um e-mail envidado para a Lista de Geografia por:

Paulo Marques
Geógrafo - Analista Ambiental / CREA: 16838/D-GO
Mestrando em Geotecnia /EEC -UFG
Especialista em Projetos Ambientais e Culturais - UF
Departamento Técnico - Geoprocessamento e Meio Físico.
 
A foto da caneca veio DAQUI.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MUDANDO PARADIGMAS NA EDUCAÇÃO

O modelo de educação hoje dominante no Brasil e no mundo prepara realmente os estudantes para o futuro?
Esta palestra tenta lançar uma luz sobre o assunto, de forma criativa e divertida, sem deixar de ser verdadeira.

RESGATANDO VELHOS CONCEITOS PARA O FUTURO DA CIDADE

Estamos compartilhando este vídeo que trata do transporte urbano em São Luís. E se trocássemos o nome São Luís pelo da cidade em que vivemos, faria muita diferença?
Comentem!

Resgatando velhos conceitos para o futuro da cidade: caso de estudo São Luís. from Cidade Ideia on Vimeo.


Encontrei este vídeo AQUI.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

BRASILEIRO RECLAMA DO QUÊ?


Este texto circula na internet há tempos. Obrigado à Rosane Gomes que publicou o texto na Lista de Geografia. Concordando ou não com o que está escrito, deve se reconher que ele suscita uma reflexão: o que estou fazendo para melhorar o mundo em que vivo? Gandhi traz a resposta ao dizer que "se o mundo está como está, lembre-se que nele existem pessoas como você". Leiam e reflitam!

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Tá reclamando do Lula? Do Serra? Da Dilma? Do Arruda? Do Sarney? Do Collor? Do Renan? Do Palocci? Do Delúbio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? Do Kassab? Dos mais 300 picaretas do Congresso?
Brasileiro reclama do que?
O brasileiro é assim:
1) Coloca nome em trabalho que não fez.
2) Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
3) Paga para alguém fazer seus trabalhos.
4) Saqueia cargas de veí­culos acidentados nas estradas.
5) Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
6) Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
7) Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
8) Fala no celular enquanto dirige.
9) Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) assim o amigo não gasta nada.
10) Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
11) Para em filas duplas, triplas, em frente as escolas.
12) Viola a lei do silêncio.
13) Dirige após consumir bebida alcoólica.
14) Fura filas nos bancos (e outras), utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
15) Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
16) Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
17) Faz "gato" de luz, de água e de tv a cabo.
18) Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
19) Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
20) Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
21) Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
22) Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
23) Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
24) Adultera o velocí­metro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
25) Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
26) Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
27) Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
28) Emplaca o carro fora do seu domicí­lio para pagar menos IPVA.
29) Frequenta os caça-ní­queis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
30) Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
31) Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
32) Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
33) Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
34) Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos...

Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses polí­ticos que aí­ estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama do que, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário! Vamos dar o bom exemplo!
"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos..."

Colhemos o que plantamos! A mudançaa deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes.