quarta-feira, 14 de abril de 2010

GEOMORFOLOGIA DO MARANHÃO I


Este texto foi publicado no Atlas do Maranhão, editado pelo IBGE em 1984. Esperamos que nosso esforço para digitalização seja uma reparação do desaparecimento dos dois volumes que existiam no "Laboratório" de Geografia do CESC/UEMA. Oportunamente publicaremos outros textos desta preciosa fonte.

Boa leitura.

QUADRO NATURAL

A feição primordial do relevo maranhense é conseqüência da evolução paleogeográfica da bacia sedimentar, cuja formação se estendeu do início do Paleozóico ao fim do Mesozóico, como referido.

As camadas sedimentares, de modo geral, se apresentam quase horizontais, com declives insignificantes para o norte, tendo originado uma topografia tabular ou subtabular, resultante da ação de processos e mecanismos morfogenéticos, atuantes sob climas diversos.

A feição primordial do relevo maranhense é conseqüência da evolução paleogeográfica da bacia sedimentar, cuja formação se estendeu do início do Paleozóico ao fim do Mesozóico, como referido.

As camadas sedimentares, de modo geral, se apresentam quase horizontais, com declives insignificantes para o norte, tendo originado uma topografia tabular ou subtabular, resultante da ação de processos e mecanismos morfogenéticos, atuantes sob climas diversos.

Para compreender a feição atual do relevo maranhense, devem ser examinados inicialmente os remanescentes da superfície de cimeira representados pela “cuesta”, chapadões e chapadas, da metade sul do Estado, os quais correspondem a prolongamentos da superfície elevada do Brasil Central, que perdem altitude lentamente em direção norte.

Essa superfície foi modelada durante quase todo o Terciário (cerca de 60.000.000 de anos), após um levantamento que se processou no fim do Cretáceo. O prolongado período de erosão que afetou a área provocou um aplainamento quase perfeito, durante o qual, até mesmo as camadas levemente onduladas foram truncadas, convertendo a área em um grande pediplano.

Os movimentos epirogênicos que ocorreram no Terciário Médio, ainda durante a elaboração da Superfície Sul-americana, provocaram um solevamento parcial da área pediplana e reativaram a erosão.

Nas áreas deprimidas depositaram-se sedimentos clásticos, mal selecionados, parcialmente laterizados, com cores que variam do amarelo ao vermelho, variação esta evidencia oscilações climáticas durante a deposição. O grau de laterização dos mesmos indica a predominância de condições de aridez, a qual a área esteve sujeita.

Estes sedimentos foram assinalados na chapada de Tiracambu, que, provavelmente, sofreu uma invasão de relevo. Podem ser correlacionados a outros depósitos encontrados sobre a Superfície Sul-americana em outras áreas do Brasil. Os geólogos tendem a correlacioná-los a Formação Barreiras Inferior.

No início do Mioceno, ainda no Terciário Médio, ocorreu um levantamento geral do continente que se processou de forma desigual. Nesta ocasião o clima era um pouco mais úmido, o que favoreceu a retomada de erosão, quando então as formas estruturais foram postas em realce, sendo elaboradas as “cuestas” e, como conseqüência da compartimentação da grande superfície, surgiu a atual paisagem dos chapadões e chapadas, com altitudes que variam de 800 metros na chapada das Mangabeiras a 300 metros na chapada de Tiracambu.

Na área de ocorrência de corpos ígneos representados, principalmente, por basaltos, que se apresentam como estratos-camadas, emprestando uma resistência maior à erosão, as chapadas e chapadões são como que emolduras por patamares estruturais bem marcados.

Ainda ligadas à compartimentação, com advento de um clima de maior aridez que ocorreu no Terciário Superior (Piloceno), desenvolveram-se áreas de aplainamento, domínio da erosão lateral, sendo então elaboradas as depressões intermontanas dos altos cursos e as depressões periféricas que emolduram o sopé das “cuestas”. Iniciava-se então o Ciclo Velhas.

Na área central maranhense, a menor resistência das rochas favoreceu a maior atuação dos processos de pediplanação desenvolvidos durante o Ciclo Velhas, originando uma ampla superfície dominada por testemunhos tabulares, remanescentes da Superfície Sul-americana.

A altitude da Superfície Velhas é variada, chegando a alcançar 300 metros nas depressões intermontanas no alto curso dos rios, descendo, progressivamente, a algumas dezenas de metros para o norte, onde é recoberta pelos depósitos da Formação Barreiras.

Sobre essa superfície, que corresponde a um clássico pediplano e que continuou a ser elaborada durante o Pleistoceno Superior, são encontrados depósitos sedimentares com horizontes de canga, depósitos argilo-arenosos e leitos de fragmentos de maior talhe. A natureza dos sedimentos atestam uma gênese sob condições de um clima de aridez acentuada.

Os remanescentes do Ciclo Sul-americano, por vezes rebaixados, lembram os “inselbergs” do Nordeste Oriental, havendo evoluído por processos morfoclimáticos semelhantes. Posteriormente, com a compartilhamentação da Superfície Velhas, sob condições de maior umidade, desenvolveram-se processos de mamelonização que afetaram a forma destes relevos residuais, que chegam a se apresentar ligeiramente arredondados. A preservação da feição tabuliforme foi possível pela existência de uma camada de fragmentos da crosta laterítica..

O trabalho de aplainamento foi favorecido pela menor resistência à erosão das rochas predominantes na área, pertencentes à Formação Itapecuru (Cretáceo).

Ainda no Pleistoceno, quando a área sofreu um movimento epirogênico positivo, começou a haver o trabalho de compartimentação através da rede hidrográfica que ali se instalou durante períodos de maior umidade, aproveitando as linhas de fraturas, que chegaram mesmo a afetar a Formação Barreiras, em conseqüência das reativações tectônicas que provocaram os últimos movimentos de conjunto, responsáveis pela formação do Arco Ferrer-Urbano Santos.

Na ocasião da formação desta arco deu-se a exumação da superfície pré-cretácea modelada em rochas pré-cambrianas, onde encontramos o Gurupi como um típico exemplo de rio epigênico, cortando indiferentemente a estrutura subjacente.

Junto ao litoral, a Superfície Velhas foi fossilizadas pelas formações terciárias e quaternárias, esboçando-se sobre as mesma uma superfície mais recente, referida por Lester King (1956) como do Ciclo Paraguaçu, que é mais nítida quando observada ao longo do litoral e nos baixos cursos dos principais rios.

Durante o Pleistoceno ocorreram movimentos eustáticos que foram responsáveis por regressões marinhas fazendo com que o nível do mar descesse consideravelmente, bastando lembrar que, durante a última glaciação (Würm), a descida atingiu cerca de 100 metros abaixo do nível atual.

Com a intensificação da erosão fluvial, toda a área recoberta pelos sedimentos das formações Barreiras e Itapecuru foi compartimentação, esboçando-se então o Golfão Maranhense e a própria ilha de São Luís.

Nessa ocasião, a fase de erosão remontante provocou um entalhamento enérgico ao longo dos vales, favorecido pela fraca resistência das rochas constituintes do substrato geológico. Nos principais rios, o trabalho erosivo alcançou centenas de quilômetros, ao longo de seus cursos.

Tal fato ocorreu aproximadamente 12.000 anos, quando então se iniciou a transgressão Flandriana, responsável pela subida do nível do mar até a posição atual, convertendo os baixos vales em largos estuários e delimitando enfim, a área primitiva do Golfão.

A advento de uma fase quente e de maior umidade favoreceu o desenvolvimento de processos de meteorização, iniciando-se assim a atual paisagem que tão bem caracteriza os altos cursos do Pindaré, do Mearim e do Grajaú, onde seus vales apresentam-se encaixados e seus leitos divagantes em meio à planície aluvial alongada.

A fraca declividade destes rios é conseqüência de sua recente história geomorfológica e favorece a navegação por embarcações de pequeno calado até a parte central do Estado, havendo sido, por muito tempo, as únicas vias de penetração na região.

Na área do Golfão a grande oscilação das marés (cerca de 8 metros), associada à fraca declividade dos rios, favorece a penetração de sua vaga remontante até dezenas de quilômetros nos vales dos rios. A ação das mesmas se faz também na diminuição da velocidade da corrente fluvial que, perdendo a capacidade de transporte, deposita uma parte de sua carga sólida, formando bancos de sedimentos, planícies aluviais e ilhas de pequena altitude, como a dos Caranguejos, esboçando-se a formação de “deltas internos”.

Como conseqüência da formação das planícies aluviais, alguns baixos cursos dos rios foram barrados, surgindo uma série de lagoas que constituem uma das feições geomorfológicas características da faixa sublitorânea maranhense, como aquelas encontradas na área do Golfão, nos rios Turiaçu, Pericumã e em alguns afluentes do rio Parnaíba, como o Magu, o Marique e o Bacuri.

É um fato notório o contraste existente entre os setores oriental e ocidental do litoral maranhense limitados, aproximadamente, pela área do Golfão.

O primeiro é um litoral retilíneo com restingas que tendem a desviar a foz dos rios para o noroeste, fato este facilmente comprovado a uma simples observação do delta infletido do Parnaíba e da foz do Preguiças, que constituem os principais rios do setor oriental.

A rede hidrográfica se restringe a rios de pequena extensão, cujos vales são modelados na formação Barreiras e seguem a direção NE do sistema de fraturas predominante. A única exceção é constituída pelo rio Parnaíba, bastante extenso, parecendo corresponder a um rio geomorfologicamente bem mais antigo.

Em direção ao interior, a faixa sublitorânea é constituída, sem dúvida, por um dos campos de dunas mais importantes do território brasileiro, conhecido pela denominação de “Lençóis Maranhenses”. Constata-se ai a existência de duas épocas de formação de dunas. A primeira se deu logo após a transgressão Flandriana, quando as grandes oscilações das marés, permitiam, durante a baixa-mar, exposição de larga faixa arenosa. O vento constante, transportando o farto material arenoso para o continente, originou dunas que recobriam grandes extensões, podendo ser assinaladas algumas localizadas a mais de 100 quilômetros do seu ponto de partida no litoral. Seguiu-se uma fase climática mais úmida, responsável pela fixação das mesmas, que foram parcialmente edificadas.

Bem mais recente, com uma nova fase seca, surgiu uma segunda etapa,

Com a formação de novas dunas que recobrem uma fímbria de terra ao longo do litoral.

Outra feição dos Lençóis Maranhenses é representada pelo campo de deflação, cuja gênese está intimamente associada á das dunas, sendo formado por areias esparsas pelo vento na superfície do terreno, constituindo uma camada, por vezes descontínua, que chega a alcançar alguns metros de espessura.

O setor ocidental do litoral tem seus limites a partir das proximidades das cidades de Primeira Cruz e Humberto Campos, sendo interrompido apenas pela golfão Maranhense. É um litoral constituído predominantemente, por uma série de reentrâncias emolduradas por terras baixas e lodosas, onde proliferam manguezais. Corresponde a um antigo litoral de “rias”, com largos estuários elaborados após a transgressão Flandriana.

Os sedimentos que colmatam as “rias” e constituem o substrato para os manguezais são bastante finos em conseqüência de processos de meteorização química, que predominam nesta porção do Estado, em função do clima mais úmido.

GEOMORFOLOGIA DO MARANHÃO II


Este texto foi publicado no Atlas do Maranhão, editado pelo IBGE em 1984. Esperamos que nosso esforço para digitalização seja uma reparação do desaparecimento dos dois volumes que existiam no "Laboratório" de Geografia do CESC/UEMA. Oportunamente publicaremos outros textos desta preciosa fonte.
Boa leitura.

GEOMORFOLOGIA

A ação do fluxo e refluxo das correntes de marés é responsável pela distribuição dos sedimentos que tendem a acentuar os pontões lodosos, que avançam pelo mar, e pela formação de ilhas, as quais sugerem uma origem ligada ao fracionamento daqueles por ocasião das marés equinociais.

A sedimentação é favorecida pelo tipo de raízes características da vegetação de mangues, que constituem obstáculos ao deslocamento do fluxo das marés.

Em alguns pontos do litoral, como ao norte de Alcântara, as vagas, solapando as rochas da Formação Itapecuru, originaram escarpas que constituem verdadeiras falésias.

Para o interior, a área que antecede o litoral propriamente dito, apresenta diversificações, litológicas, que se traduzem na feição do relevo. Enquanto a leste da baia de Turiaçu predominam rochas cretáceas de Formação Itapecuru, originando formas tabulares, resultantes da dissecação da superfície de aplainamento, para oeste, as rochas pré-cambrianas do núcleo Gurupi originam um relevo colinoso, derivado da compartimentação de uma superfície de uma pré-cretácea que foi parcialmente exumada.

As grandes unidades geomorfológicas que podem ser identificadas no espaço maranhense são:

Chapadões chapadas e “cuestas” – ocupando quase toda a porção meridional, corresponde à área dos remanescentes da Superfície Sul-americana, que perde lentamente altitude em direção norte.

Superfície maranhense com testemunhos – corresponde a uma área aplainada durante a ciclo Velhas, dominada, em parte, por testemunhos tabulares da superfície de cimeira, principalmente na porção central do Estado, estendendo-se em direção ao litoral.

Golfão maranhense – área resultante do intenso trabalho da erosão fluvial do Quaternário antigo, posteriormente colmatada, originando uma paisagem de planícies aluviais, ilhas, lagoas rios divagantes. Constitui o coletor do principal sistema hidrográfico do Maranhão.

Lençóis maranhenses – corresponde às faixas litorânea e sublitorânea da porção oriental, constituídas por restingas, campos e deflação e dunas.

Litoral em “rias”- corresponde à porção ocidental, onde “rias” afogadas foram convertidas em planícies aluviais e são emolduradas externamente por pontões lodosos e ilhas que se formaram pela ação das marés.

BIBLIOGRAFIA

AB’SABER, A. N. – Contribuição à Geomorfologia do Estado do Maranhão – Notícia Geomorfológica, lll (5): 35-45 Universidade Católica de Campinas, 1960.

__________. Participação das superfícies aplainadas nas paisagens do Nordeste Brasileiro – Geomorfologia, 19:38 p. – USP, Instituto de Geografia, São Paulo, 1969.

BRAUN, O.P.G. – Estratigrafia dos sedimentos da parte inferior da Região Nordeste do Brasil (Bacias de Tucano-Jatobá, Mirandiba e Araripe). Divisão de Geologia e Mineralogia, D.N.P.M., Boletim 236,75 p. – Rio de Janeiro, 1966.

____________ . Contribuição à Geomorfologia da Bahia – Revista Brasileira de Geografia. 42 (4): 822-861, Rio de Janeiro, 1980.

CAMPBELL, D.F. et aliii – Relatório sobre a geologia da Bacia do Maranhão. Boletim número 1 – 150., Conselho Nacional de Petróleo, Rio de Janeiro, 1949.

CODEMINAS - Relatório do Projeto de cadastramento e investigação geológica de ocorrência minerais no Estado do Maranhão – Bacias dos rios Itapecuru e Mearim – Convênio SUDENE – CODEMINAS, São Luís, 1976.

DOMINGUES, A. J. P. et aliii – Geomorfologia – Projeto Cerrado l – Convênio IBGE – EMBRAPA, Relatório inédito, 1980.

FERREIRA, E. O. – Carta Tectônica do Brasil – Nota explicativa – D. N. P. M. – Boletim número 1, Rio de Janeiro, 1972.

KING, L. G. – A Geomorfologia do Brasil Oriental – Revista Brasileira de Geografia 18 (2): 3-121, IBGE, Rio de Janeiro, 1956.

LOCZY, L. de LADEIRA, E. A. – Geologia estrutural e introdução à geotectônica, 528 p., São Paulo, Editora E. Blücher Ltda., Rio de Janeiro, CNPq, 1976.

MOREIRA, A. A. N. – Relevo – Região Nordeste. Geografia do Brasil, Vol. 2: 1-45 IBGE, Rio de Janeiro, 1977.

REZENDE. W. M. e PAMPLONA. H. R. P. - Estudo do desenvolvimento do Arco Ferrer – Urbano Santos. Boletim Técnico, PETROBRÁS 13 (1/2): 5-14, jan/jun., Rio de janeiro, 1970.

SOUSA, S. A. de – Bacia do Mearim l – Características físicas e condições de navegabilidade. Saneamento 52 ( 3 e 4): 102-126, jul-dez., 1978 e 53 (1 e 2): 12-21. Jan-jun., 1979, DNOS, Rio de Janeiro.

VAN EYSINGA. F. W. B. – Geological Time Table – Composição, 3 a ed. 1975. Elsevier. Amisterdam, 1976.

domingo, 11 de abril de 2010

Livro "Desastres Naturais: conhecer para prevenir"

Texto divulgado na geomorfolista - geomorfolista.yahoogrupos.com.br.:

Estamos divulgando o lançamento do Livro "Desastres Naturais: conhecer para prevenir".
Esta publicação foi elaborada por pesquisadores do Instituto Geológico, agregando o conhecimento de vinte anos de pesquisas relacionados à temática, bem como a experiência em atendimentos de situações emergenciais de risco, avaliações e mapeamento destes riscos.
(...)
Desta forma, o livro constitui uma contribuição no sentido de reunir, em um único volume, os diversos aspectos que balizam as ações de prevenção de desastres naturais. Para tanto, são reunidos conceitos, terminologias, métodos de análise, e aplicações que possibilitam um entendimento dos cenários potencialmente favoráveis à ocorrência de acidentes e desastres. Também permite subsidiar os agentes envolvidos na análise, gerenciamento e intervenções de áreas de risco ou potencialmente perigosas.

Disponível em: http://www.igeologico.sp.gov.br/ps_down_outros.asp

quinta-feira, 8 de abril de 2010

APOSTILAS DE GEOGRAFIA


Existem diversos alunos que iniciam sua vida de educador ainda na graduação. Tentar conciliar trabalho e estudo é difícil. Eu que o diga. Essa dica vai para quem tem dificuldades de obter material de qualidade e de custo baixo para suas aulas. Trata-se do material usado no curso Pró Universitário da USP. Visualizei rapidamente o material e aprovei, a princípio, sua qualidade (necessita de uma avaliação mais detalhada), mas acho que pode ajudar muita gente. Para obter os módulos clique AQUI.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Livros Baratos


Desculpem o título apelativo, mas este post tem o objetivo de divulgar uma boa idéia:
"Reunindo virtualmente os acervos de 1.659 sebos e livreiros, de 307 cidades, a Estante Virtual é a sua chance de encontrar sempre o livro que você procura. E por um preço que você pode pagar! Chega de bater pernas atrás de livros que você nunca acha, chega de levar para casa um livro que não era exatamente aquele que você queria. E não é só! Todos os leitores cadastrados têm à disposição sua própria estante virtual, para vender livros do seu acervo pessoal para uma comunidade com milhares de leitores de todo o Brasil e de diversos outros países". Para acessar clique AQUI.

segunda-feira, 29 de março de 2010

GEOMORFOLOGIA - conceitos e teorias

Caros alunos e amigos,



Encontram-se disponíveis, neste LINCK, as primeiras aulas (slides) de Geomorfologia. A primeira parte, a que denominamos de GEOMORFOLOGIA - conceitos fundamentais é a que antecede ou prepara o aluno para o entendimento das Teorias Geomorfológicas, a segunda parte. Achei por bem dividir o arquivo em dois para tornar mais conveniente o download. Sugiro que após baixar esse conteúdo vocês façam o mesmo com os dois arquivos intitulados Processos Endogenéticos na Formação do Relevo, que estão no mesmo endereço.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Estrutura Curricular do Curso de Geografia

ATENÇÃO! Estrutura Curricular do Curso de Geografia - CESC/UEMA
Por uma série de problemas de ordem interna o Curso de Geografia do CESC-UEMA mantinha esse documento em local incerto e não sabido.
Conseguimos resgatá-lo e agora disponibilizamos para toda a comunidade do curso. Acesse o documento AQUI.
A vida, de um modo geral, e a acadêmica, em especial, necessita de planejamento (veja o post sobre este assunto aqui no blog).
É necessário que estejamos atentos e vigilantes com relação aos descaso com que a direção de curso tem sido exercida ultimamente. O acesso a informação é um direto de todos. Vamos exercê-lo! Olhos e ouvidos bem abertos.
Estamos finalizando o fluxograma e logo mais estará disponível aqui também.

sexta-feira, 12 de março de 2010

TEXTOS DIDÁTICOS

Caros alunos,

Sejam bem vindos ao ano letivo de 2010.
Para início de conversa, saibam que a a razão da existência deste blog é o auxilio à disciplina de Geomorfologia do CESC-UEMA. Aqui vocês encontrarão grande parte dos recursos e textos didáticos que disponibilizaremos para vocês. Os textos estão depositados no HD virtual do www.4shared.com. Clique AQUI para acessá-lo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aulas de Geomorfologia em Powerpoint


Estou disponibilizando duas apresentações das aulas que ministrei ano passado. Quis ilustrar melhor um dos textos que sugiro aos alunos e que considero uma excelente revisão de Geologia para alunos de Geomorfologia Geral. A referência está no conteúdo. Clique no título do post. Aceito sugestões. Comentem! Estas e outras aulas também estão disponíveis no Slideshare: http://www.slideshare.net/assisaa/presentations.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Promessa Cumprida



Caros leitores,
Estamos cumprindo a promessa feita na ultima postagem: estamos disponibilizando o texto clássico do GUERASIMOV,I.Problemas metodologicos de la ecologizacion de la ciencia contemporanea. Está em formato .doc para que todos possam contribuir na melhoria da tradução. Enviem suas contribuições para assis.araujo@ig.com.br. Para baixar clique AQUI.
.
Abraços. AA.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Texto do GUERASIMOV

Amigos e leitores (aqueles muitos, estes nem tantos). Estamos em fase de conclusão da "tradução" de alguns textos considerados verdadeiros oráculos da Geografia. Quisemos matar duas baratas com uma só chinelada: ler o texto, por exigência da tese e manter o arquivo digital de uma xerox da xerox da xerox... Achamos, por fim, que nosso blog está necessitando de textos e porque não disponibilizar para nossos amigos estes (que são raros para muitas pessoas)?
Um destes textos é: GUERASIMOV,I.Problemas metodologicos de la ecologizacion de la ciencia contemporanea. Esperem só um pouco que estou quase concluindo. Abraços. AA.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O QUE É PLANEJAR?

Para que planejar? Evita o improviso. Garante segurança na execução de uma tarefa.

Visa a eficiência. Organiza adequadamente um conjunto de ações interdependentes.

"Planejar é: Transformar a realidade numa direção escolhida/Organizar a própria ação (de grupo, sobretudo)/Implantar um processo de intervenção na realidade./Agir racionalmente./Dar clareza e precisão à própria ação (de grupo, sobretudo)./Por em ação em ação um conjunto de técnicas para racionalizar a ação./Realizar um conjunto orgânico de ações, proposto para aproximar uma realidade de um ideal./Realizar o que é importante (essencial) e além disso, sobreviver... se isso é essencial./O mesmo que preparar bem cada ação, ou organizar adequadamente um conjunto de ações interdependentes./O contrário de improvisar./Uma força que impulsiona a ação."(Fonte não identificada)

MOTIVAÇÃO PARA ESTUDAR

Espero que este texto motive alguém. Está cada vez mais difícil tentar convencer a juventude de hoje a dedicar-se aos livros.

"Aprender é o que justifica e explica a nossa condição humana. Muitas vezes nos fazemos essas perguntas: para que estudar? Por que estudar tal matéria se não preciso dela no dia-a-dia? Por que vou ler um livro? Existe uma resposta que é anterior a todas as outras: é para afirmar nossa condição humana; para sermos mais pessoas humanas. Aprender, compartilhar as informações, aprender o que foi feito muito antes de nós e projetar o que vai ser feito depois são só os humanos que fazem. O estudo é uma forma de afirmar e de reafirmar essa nossa condição humana. E o fato de o estudo não ser devidamente valorizado não à-toa. É muito fácil manipular e silenciar aqueles que não tem conhecimento ou uma reflexão. Quanto mais se vai entrando nesse mundo infinito que é o do conhecimento dos livros e das pessoas, se fica mais contestador, mais crítico, mais inquieto, mais insatisfeito com as injustiças e, ao mesmo tempo, se vai tornando capaz de enxergar saídas e de ter uma satisfação que o conhecimento proporciona". (Fonte não identificada)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Revistas On Line

Como acessar periódicos nacionais e europeus que não encontro na biblioteca da minha faculdade?
Antes da internet a reposta a essa pergunta comportava basicamente duas respostas: vá até lá ou peça para alguém trazê-los até você. Com o intuito de divulgar novas fontes e pesquisa quero compartilhar com os leitores eventuais deste blog uma "mina de ouro" do conhecimento geográfico: a revista de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Para quem pesquisa clima urbano atente para os artigos da Profa. Ana Monteiro. Outra "pepita": Contributo para o estudo da morfologia das Serras de Campelos e Maragotos, de Laura Ma. Soares. Descubram mais clicando neste link:


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aulas em Powerpoint


Tenho utilizado slides em minhas aulas como recurso didático há bastante tempo. A maior parte são produções minhas; às vezes, um mix de aulas disponíveis no portal www.slideshare.net. Senti, então que, tendo recorrido a esta ferramenta muitas vezes, devia dar minha contribuição. Deixei alguns slides por lá. De Geomorfologia tem dois arquivos relativos aos processos endogenéticos do relevo. Confiram no link acima.

domingo, 18 de outubro de 2009

Mapas Mentais de Pedologia

Não era, a princípio, objetivo meu publicar estes mapas mentais, mas diante da necessidade surgida recentemente em sala de aula, segue alguns dos mapas que produzi para as aulas de Pedologia. Desnecessário mencionar aqui as relações da Geomorfologia com a Pedologia. A propósito, cito aqui um clássico, que li recentemente: TRICART, J. As relações entre a morfodinâmica e a morfogênese. Notícia Geomorfológica, Campinas, 8 (5): 5-18, JUN 1968. Espero que os MM ajudem a todos que deles venham a fazer uso. Baixar aqui: http://www.4shared.com/file/141845243/314f2552

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ESCALAS DE GRANDEZA ESPACIAL NO ESTUDO GEOMORFOLÓGICO I

Tricart, no seu tratado metodológico de geomorfologia (Principes e méthodes de la Geomorpholoqie), faz a seguinte análise classificatória dos fatos geomorfológicos, segundo escalas de grandeza definidas por categorias especiais de fatos:

Primeira ordem de grandeza (ou escala global) — abrangendo grandes áreas. Ë mais relacionada à Geofísica. Considera as formas da terra (sic) como um todo e a sua maior divisão em terras e águas. O estudo está no nível dos antagonismos: forças internas (divisão entre continentes e bacias oceânicas) e externas (divisão em zonas morfoclimáticas). Escala de 106 anos em tempo.

Segunda ordem de grandeza definidas pelas unidades estruturais, que caracterizam as subdivisões das grandes zonas morfoclimáticas do globo. Regiões de escudos antigos, dorsais, faixas orogênicas, bacias sedimentares. Também definidas pelas subdivisões ecológicas das zonas morfoclimáticas: meio glaciar e periglaciar da zona fria; meio permanentemente úmido e de savanas da zona intertropical. Dimensão da ordem de milhões de quilômetros quadrados. Os problemas ainda são focalizados em conjunto e sob o aspecto tectônico-estrutural e pelo aspecto global das formas, sob diferenças morfoclimáticas.

Terceira ordem de grandeza unidades menores. Dezenas de milhares de quilômetros quadrados. A paisagem é estudada do ponto de vista de sua evolução, com ênfase nos estágios de desnudação. As pequenas unidades estruturais são focalizadas nesse tipo de abordagem: maciços antigos da Europa Herciniana, bacias sedimentares brasileiras.

Quarta ordem de grandeza — corresponde a unidades de centenas de quilômetros quadrados.

São ainda analisadas do ponto-de-vista estrutural. Trata-se de pequenas unidades estruturais dentro de unidades maiores, regiões de compensação isostática que se individualizam em áreas de tendência oposta. Exemplo, o maciço de Poços de Caldas no Planalto da Mantiqueira: os Pré-Alpes franceses na Cadeia Alpina, a fossa da Limagne no maciço central francês.

Quinta ordem de grandeza — unidades de alguns quilômetros quadrados de superfície. São relevos que se estudam bem em mapas na escala de 1:20.000. Exemplo: escarpas de falhas: relevos de cuesta localizados: anticlinais: sinclinais, cristas apalachianas, etc. Essas unidades se manifestam pela ação da litologia e da erosão diferencial.

Enquanto as unidades superiores correspondem principalmente a forças tectônicas, essas correspondem a influência estrutural passiva. A erosão desempenha aqui o papel principal. Na mesma escala estão pequenas formas esculturais ou de acumulação: circo glaciar, bacia de recepção, morainas, deltas médios.

Sexta ordem de grandeza — superfície de centenas de metros quadrados. Raramente são acidentes tectostatícos. Nessa escala o modelado se individualiza, principalmente, pelos processos erosivos e por condições várias criadas pela litologia. Formas como: tálus, patamares, colinas, cones de dejeção, etc. As influências tectônicas não aparecem de maneira direta

Sétima ordem de grandeza — são as microformas. Escala do decímetro ao metro Relação muito estreita com os processos de esculturação ou de deposição. Formas como lapiez, taffonis, placas de descamação, matacões, etc.

Oitava ordem de grandeza — Formas menores que 1 km2, podendo ir do milímetro ao mícrom. As observações são feitas com aparelhos. Essa escala corresponde ao limite do campo da geomorfologia. Mas o estudo dessa dimensão é indispensável para a análise dos processos e identificação dos mecanismos morfogenétlcos. Trata-se, antes, de objetos da sedimentologia e pedologia, mas, cujo conhecimento e estudo se faz necessário para a Geomorfologia. Em se tratando de formas: poros de rochas, picotamento de corrosão química etc.

A aplicação dos métodos será feita de acordo com as ordens de grandeza dimensional. Exemplo: métodos de análise sedimentológica para fatos de 8ª ordem de grandeza; a cartografia geomorfológica só é válida até escalas de 1:25.000. Os métodos geofísicos não explicariam as diferenças entre flancos de um mesmo vale, mas se enquadrariam bem nas escalas iguais ou superiores a 4ª ordem.

Essa classificação taxonômica e genética constitui um instrumento para esclarecer relações de causalidade entre fatos diferentes.

Fonte: PENTEADO, M.M. Fundamentos de Geomorfologia. Rio de Janeiro: FIBGE, 1980.3ª ed.p.8-9

TENDÊNCIAS RECENTES EM GEOMORFOLOGIA

Algumas das tendências significativas das últimas décadas são: 1) uma tendência para que a geomorfologia, ao menos nos EUA, seja mais geológica que geográfica como resultado de: a) um acréscimo da aplicação de outras fases da geologia nos estudos geomórficos, como por exemplo da mineralogia no estudo do intemperismo; de métodos estratigráficos em paleogeomorfolgia e as técnicas paleontológicas nos estudos dos depósitos glaciais; e b) um declínio do interesse do geógrafo pela geografia física, à medida que aumenta sua dedicação à geografia humana; 2) o desenvolvimento da geomorfologia regional, a qual tenta dividir os continentes em áreas de características e história geomórfica similares; 3) um reconhecimento crescente das aplicações práticas dos princípios geomórficos a campos tais como hidrogeologia, pedologia e geologia aplicada à engenharia; e 4) o alvorecer da etapa quantitativa e experimental com ensaios de aplicação das leis da hidrodinâmica para um conhecimento melhor dos processos geomórficos. Tanto nos Estados Unidos como em outros países, foram instalados laboratórios experimentais nos quais se tem tentado determinar com a maior precisão a aplicação das leis hidráulicas à ação das ondas, as correntes e os rios. Nestes laboratórios, os engenheiros têm realizado mais trabalhos que os geólogos, com o resultado de que o êxito de alguns trabalhos ainda não tenha sido compreendido em sua totalidade pelos geomorfólogos.

Ninguém põe em dúvida a necessidade de incrementar as tarefas quantitativas no campo da geomorfologia. Demasiadas conclusões foram deduzidas de dados quantitativos inadequados. Existe certo perigo, que deve ser reconhecido e previsto, nas exigências de alguns para uma geomorfologia quantitativa. Devemos tomar cuidado para que a geomorfologia não seja tragada pela matemática, a física e a química, que deixe de ser o estudo das formas do relevo terrestre. Às vezes, as formas e as equações elaboradas podem parecer um complemento à erudição, a uma discussão, mas contribuem pouco para a interpretação real das características descritas. Devemos evitar a idolatria da discussão matemática. Na realidade é questionável que os numerosos fatores variáveis envolvidos na origem das paisagens complexas possam alguma vez ser reduzidos a equações matemáticas. Como disse Baulig (1950), “as leis da geomorfologia são complexas, relativas e raramente suscetíveis de expressão numérica”. É de pensar que para o entendimento das discussões geomórficas jamais será o mais essencial o conhecimento da matemática, da física e da química que a avaliação cabal da litologia, da estrutura geológica, da estratigrafia, da história diastrófica e da influência climática.

FIM DO TEXTO.

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DEPOIS DE HUTTON

Depois de Hutton

Progresso na Europa – Charles Lyell (1797–1875) chegou a ser o representante máximo do uniformitarismo e, através de suas séries de livros-texto, provavelmente fez mais pelo progresso desse princípio e do conhecimento geológico em geral do qualquer outra pessoa. No entanto, não pode aceitar o significado total da erosão fluvial, tal como foi concebida por Hutton, por que, na décima primeira edição de seus Principles of Geology (1872) encontramos a seguinte manifestação: “É provável que poucos grande vales em qualquer parte do mundo tenha sido escavado pelas chuvas e águas correntes somente. Durante pare de sua formação, os movimento subterrâneos prestaram seu auxílio, acelerando o processo de erosão”.

Na Europa, um dos progressos mais significativos do século dezenove foi o reconhecimento da evidência de uma idade glacial durante a qual mantos de gelo cobriram a maior parte da Europa setentrional. A pessoa a quem geralmente se atribui o mérito de haver estabelecido este fato é Louis Agassiz (1807-1873). Talvez seu maior mérito seja o de haver estabelecido sua validade, mas várias pessoas, a quem raramente se lhes atribui tal mérito, anteciparam suas conclusões. A idéia de que os glaciares alpinos haviam existido em um tempo mais amplo era comum entre os camponeses suíços, que observavam morenas nos vales por sob as partes terminais dos glaciares atuais. Playfair, ao efetuar uma viagem aos montes Jura em 1815, reconheceu a possibilidade de que grandes blocos ali presentes pudessem ter sido transportados por glaciares alpinos. Em 1821, um engenheiro suíço, de apelido Venetz, manifestou sua crença de que os glaciares alpinos haviam existido em um tempo muito mais amplo, e em 1824, Esmark, na Noruega, expressou as mesmas idéias referente aos glaciares neste país. Em 1829, Venetz lançou a opinião de que provavelmente os glaciares se estenderam até as planícies baixas. Bernhardi publicou na Alemanha, em 1832, um trabalho no qual supunha a presença anterior de mantos de gelo continental. Em 1834, um colega de Venetz, John Carpentier, deu a conhecer um informe no qual concordava com as conclusões de Venetz. Foi principalmente de vido a Carpentier que Agassiz mostrou interesse pela glaciação. Era cético referente às conclusões a que se havia chegado, mas convinha visitar a área na qual Venetz e Carpentier haviam estado trabalhando. Em 1836 visitou o setor e, ainda que chegasse cético, quando regressou era um convertido às idéias de Carpentier. Convenceu-se de que não havia chegado suficientemente longe em suas conclusões. Em 1837 leu um trabalho ante a Sociedade Helvética, a essência do qual se publicou em 1840 como Estudo sobre os glaciares; nesse trabalho proclamou seu conceito de um grande período glacial. Sobreveio certo distanciamento entre estes dois homens porque Carpentier acreditava que Agassiz deveria Ter postergado a publicação de seu trabalho até houvesse aparecido o seu, o que não ocorreu senão em 1841. Embora bem pudesse haver alguma dúvida referente a se se deverá proclamar a Agassiz como o pai do conceito de glaciação continental, não há dúvida alguma de que foi devido a seus esforços infatigáveis que finalmente se reconheceu o fato da grande idade do gelo. Já em 1870 sua validade estava bastante aceita, e se começava a reconhecer a multiplicidade da glaciação, embora a oposição a esta idéia continue até muito tarde como 1905.

A importância da abrasão marinha foi considerada com ênfase por geólogos tais como André Ramsay (1814-1891) e o Barão von Richthofen (1833-1905). Ramsay descreveu o que acreditava ser uma planície de abrasão marinha no higlands de Gales e sudoeste da Inglaterra, e Richthofen apoiou a idéia da importância da erosão marinha baseada em testemunhos observados duranrte suas viagens pela China.

Jukes, em 1862, apresentou um trabalho, que com o tempo resultou clássico, sobre os rios do sul da Irlanda, no qual reconheceu a presença de dois tipos principais de cursos: rios transversais, que fluem através da estrutura geológica, e os rios longitudinais, que se desenvolvem ao largo das falhas de rochas mais frágeis, paralelas à estrutura ou ao rumo dos estratos de rochas. Acreditava que os sulcos longitudinais se desenvolviam posteriormente aos rios transversais e, por conseguinte, deveriam ser reconhecidos como rios subseqüentes. Estas idéias, como veremos logo, tornaram-se básicas na filosofia do desenvolvimento dos rios. Também reconheceu que aparentemente um curso podia privar a outro de parte de sua bacia mediante um processo que agora denomina-se captura.

Livros de texto que por seu fim se podem considerar geomórficos começaram a aparecer no último terço do século dezenove. Em 1869, Peschel tentou unir os princípios do desenvolvimento das formas do relevo de maneira sistemática, e tentou essencialmente uma discussão genética delas. Richthofen, em 1886, logrou um avanço maior nesta realização. A. Penck, em 1894, publicou sua Morfologia da Superfície Terrestre, que é principalmente um tratamento genético das formas do relevo terrestre. Assim, na Europa. Ao findar o último século, se havia acumulado uma quantidade suficiente de conhecimentos como para dar lugar a um ramo especial da geologia denominado geologia fisiográfica.

Desenvolvimento nos Estados Unidos da América. Zittel (1901) refere-se ao período situado entre 1790 e 1820 como “a idade heróica da geologia”. Bem podemos nos referir ao período entre 1875 e 1900 como “a idade heróica da geomorfologia norte americana”, porque durante este quarto de século se desenvolveu a maioria dos grandes conceitos deste ramo da geologia. Em grande parte estas eram conseqüências diretas ou indiretas do trabalho de um grupo de geólogos relacionados aos levantamentos geológicos do oeste dos Estados Unidos, iniciados depois da guerra civil. Em particular podem ser mencionados três homens, que realizaram trabalhos intelectuais pioneiros no campo geomorfológico. Foram eles o major John Wesley Powel (1834 –1912), Grove Karl Gilbert (1843–1918) e Clarence E. Dutton (1841–1912). Estas pessoas, junto com outras, prepararam coletivamente o fundamento sobre o qual posteriormente William Morris Davis edificaria o conceito de ciclo geomórfico.

Não é demasiado dizer que o major Powel, veterano da guerra civil e o primeiro conquistador dos rápidos traiçoeiros do cañyon do Colorado, sobre a base de seu trabalho nas mesetas do Colorado e dos montes Uinta, estabeleceu os fundamentos para a escola norte americana de geomorfologia. Davis ao descrever as contribuições de Powel, manifestou que em mais de um sentido “era um homem de vanguarda dentro da ciência. Sua vida revela o trabalho enérgico de uma personalidade vigorosa e independente, não travada pelos métodos tradicionais e não tão profundamente versado em história, nem no conteúdo e nas técnicas das ciências, como para ser guiado por eles, mas impelido até o descobrimento rápido de novos princípios por inspiração de regiões até então inexploradas”.

Sobre a base dos seus estudos nos montes Uinta, Powel foi impressionado pela importância da estrutura geológica como uma base para a classificação das formas da crosta terrestre. Dedicou muita atenção aos resultados da erosão fluvial e propôs duas classificações de vales fluviais: 1) baseado nas relações entre os vales e os estratos que cruzam; e 2) uma classificação dos vales de acordo com a sua origem. Nesta última classificação reconheceu vales antecedentes, conseqüentes e sobreimpostos, termos que todavia hoje são empregados amplamente ao descrever vales. Das generalizações de Powel, provavelmente a de difusão mais ampla é seu conceito de um nível limite de redução terrestre, ao que denominou nível de base. Antes de Powel, ninguém havia se aventurado a considerar a esculturação do terreno por chuvas e rios mais além do que hoje denominamos de maturidade avançada no ciclo geomórfico, mas Powel reconheceu que os processos de erosão, que atuam lentamente sobre o terreno, eventualmente haveriam de reduzi-lo a um a terra baixa pouco acima do nível do mar. Ficou para Davis sugerir posteriormente a denominação peneplanície para tal área, mas a idéia de peneplanície foi antecipada em grande parte por Powel. Além disso, reconheceu que as grandes discordâncias nas rochas do Grand Cañyon do Colorado registravam períodos geologicamente antigos de erosão terrestre. Powel também notou as diferenças geomórficas entre as escarpas resultantes da erosão e produzidas por deslizamentos de rochas (escarpas de falhas, como se denomina hoje em dia). Reconheceu que os divisores de águas migram, mas ficou para Gilbert dar-se conta cabal de todas as conseqüências deste fato.

G. K. Gilbert merece reconhecimento como o primeiro geomorfólogo verdadeiro produzido nos E.U.A. Ainda que suas crenças fossem universais, estava interessado antes de tudo na geologia fisiográfica. A ele somos devedores por sua aguda análise dos processos de erosão subárea e as numerosas modificações que os vales sofrem à medida que os rios erosionam o terreno. Reconheceu particularmente a importância da erosão lateral dos rios no desenvolvimento dos vales. Seus estudos dos entulhos hidráulicos de mineração, na Califórnia, representaram uma das primeiras tentativas de aproximação quantitativa das relações entre a carga de um rio e fatores tais como volume, velocidade e gradiente do mesmo. Sua interpretação da história pleistocênica do Lago Bonnevillle, o antecessor do Grande Lago Salgado, a partir de um estudo de suas linhas de margens e desagues, perdura como um dos clássicos da geologia norte americana. Igualmente famosa é sua explicação dos Montes Henry, em Utah, como resultado da erosão de corpos intrusivos, aos quais denominou lacólitos. Foi o primeiro a citar provas geomórficas a origem de um bloco de falha da topografia da região da Grande Bacia.

Dutton é lembrado especialmente por sua análise penetrante das formas terrestres individuais e seu reconhecimento de evidências de um período de redução terrestre que precedeu a incisão dos canyons presentes, quando a paisagem havia sido reduzido a um relevo baixo na área da meseta do Colorado. Esta época erosiva foi denominada de “a grande denudação”

Davis – “o grande definidor e analista”. O efeito de W. M. Davis (1850–1934) sobre a geomorfologia foi maior do que a de qualquer outra pessoa. A escola davisiana de geomorfologia e a escola norte americana são denominações praticamente sinônimas. Basicamente, Davis foi um grande definidor, analista e sistematizador. Antes de seu tempo, a descrições geomórficas se faziam em sua maioria em termos empíricos. Ainda mais importante do que os numerosos conceitos novos que ele introduziu está o fato de que inspirou vida nova à geomorfologia pela introdução de seu método genético de descrição das formas do terreno. Provavelmente seja lembrado mais pelo seu conceito de ciclo geomórfico, uma idéia talvez vagamente vislumbrada por Desmarest, cuja análise mais simples inclui o conceito de que na evolução das paisagens há uma seqüência sistemática de formas do relevo que torna possível o reconhecimento de estados de desenvolvimento, uma seqüência que ele denominou de juventude, maturidade e velhice ou senectude. Sua idéia de que as diferenças nas formas da crosta são em sua maioria explicáveis em termos de diferenças na estrutura geológica, processos geomórficos e estado de desenvolvimento, arraigou firmemente no pensamento da maioria dos estudiosos das formas do relevo.

Durante a terceira e quarta décadas do século vinte, Walter Penck e seus discípulos levara a cabo uma rebelião contra algumas das idéias de Davis, encontrando alguns adeptos. Na maior parte do seu desenvolvimento da idéia de ciclo geomórfico, como este é afetado pela água corrente, Davis supôs que um levantamento inicial relativamente rápido do terreno pode ser seguido por um período de estabilidade, o qual permite ao ciclo seguir seu curso, culminando com a redução do terreno a uma condição quase sem relevo. Penck e outros sustentaram que esta não é uma seqüência normal, mas que mais comumente o levantamento do terreno no começo de um período de ascensão é extremamente lento, sendo seguido por um grau acelerado de soerguimento, o qual impediria a paisagem de passar através dos estágios de desenvolvimento que terminariam numa região de relevo baixo. Vários geólogos norte americanos, particularmente os da “faixa móvel” da costa do Pacífico, têm sido céticos com respeito à suposição de que a superfície terrestre alguma vez tenha se mantido estável por tempo suficiente como para permitir a um ciclo proceder sua conclusão.

Apesar da objeções que tem surgido a algumas das idéias de Davis, na realidade não se pode negar que a geomorfologia provavelmente conservará sua marca por mais tempo que a de qualquer outra pessoa.

Fenneman (1939) descreve brevemente as diversas etapas pelas quais tem passado o pensamento geomórfico nestas palavras:

O entendimento do trabalho da chuva e da água corrente pode ser considerado em três etapas, ou quatro, se contamos a concepção primitiva das “serras perpétuas” que ainda hoje domina o pensamento de muitas pessoas… Seguiram três avanços: primeiro apareceu o simples fato universal da degradação tal como era conhecida por algumas pessoas do mundo antigo e outros até o século dezoito. Logo veio a proposição audaciosa de que os rios cavam seus próprios vales. Parece muito simples, mas significa que a topografia é principalmente esculpida e não edificada (isto é, é talhada e não levantada). Alguns gregos, romanos e árabes perceberam isto, e James Hutton, que faleceu em 1797, o compreendeu claramente. Seu amigo e intérprete, John Playfair, o expressou numa prosa ainda não superada, embora fosse algo nebuloso para Lyell ou para nós. Até então no mundo geológico (até onde o soubemos) este princípio não deixou de ser discutido desde o tempo da guerra civil. A duras penas pode ocupar seu lugar entre os dados fundamentais da ciência quando chegou a terceira etapa, na qual a água em movimento não atua ao acaso, esculpindo vales ao azar e deixando colinas distribuídas de maneira fortuita, mas que trabalha de acordo com um padrão cujas especificações são características como as costuras de um nautilo [molusco do oceano Índico] ou a nervura de uma folha. Esta é a etapa da fisiografia moderna ou geomorfologia.

Certamente Davis desempenhou o papel principal na consecução desta última etapa.

Deste resumo do desenvolvimento da idéias geomórficas sobressaem duas coisas. A primeira, é que podemos denominar o elemento tempo. Muitas idéias deixaram de ser aceitas no momento de ser propostas porque estavam “adiantadas em relação ao seu tempo”. Como exemplo disto, podemos tomar os vários séculos que precederam a Hutton. Várias pessoas (Palissy, Perrault, Buffon, Desmarest e outros) tiveram os germes da idéias modernas, mas suas idéias não puderam ser levadas a uma conclusão lógica ou esperar um auditório disposto a recebê-las embora o “clima intelectual” da época fosse desfavorável. A aceitação da capacidade dos processos erosivos para modelar a superfície terrestre foi impossível enquanto se considerasse a idade da Terra como de uns 6.000 anos aproximadamente. Até que nascesse o método indutivo com sua dependência da observação e da experimentação antes que de autoridade reconhecida, idéias semelhantes às sustentadas por Hutton não tiveram muita possibilidades de ser tomadas a sério.

Segundo, podemos notar que, embora comumente atribuímos algum conceito novo a uma pessoa, encontramos que quase sempre o trabalho básico tem sido realizado por outros, que na maioria dos casos não recebem o crédito merecido. Pode ser conveniente pensar que o desenvolvimento do pensamento geológico é devido a uns poucos homens, mas não devemos perder de vista que na realidade é o resultado da contribuição de inúmeros indivíduos.